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20 de junho, 2016

É da dificuldade que surge a inovação

Focada no tema Inovação, a segunda edição do DialogaRH foi realizada pela Alba Consultoria no dia 14/06 em São Paulo e trouxe a instigante história de um país que em menos de 70 anos nasceu, cresceu e se tornou uma das maiores potências tecnológicas do mundo. Uma história que serve de inspiração para nações e pessoas em todos os setores de atuação.

Com uma área de menos de 21 mil metros quadrados (semelhante à do Estado de Sergipe), sendo 60% dessa superfície desértica, 8 milhões de habitantes e cercada de vizinhos pouco amistosos, Israel precisou lutar em média uma guerra a cada década para sobreviver. Nascido em 1948 a partir de sobreviventes do Holocausto e refugiados judeus expulsos de diversos países, o país tem imigrantes de mais de 70 nações e, com isso, tem o multiculturalismo como uma de suas grandes características. “É uma sociedade muito diversificada, mas unida na necessidade de sobreviver. E, por isso, aprendeu desde cedo a encontrar soluções para seus problemas. Em outras palavras, aprendeu a inovar”, afirma Ariel Horovitz, diretor geral do Moriah International Center e principal palestrante desta edição do DialogaRH.

O resultado é impressionante: mesmo tendo 60% de sua área desértica e sendo um país predominantemente montanhoso, Israel é um dos principais exportadores mundiais de frutas, vegetais, produtos farmacêuticos, softwares, produtos químicos, tecnologia militar e diamantes. Como um país desértico consegue ser líder na exportação de frutas e vegetais? “Quando a situação é desfavorável nós pensamos, fazemos diferente”, explica Horovitz. “Em um momento de crise, e temos muitos em Israel, podemos escolher entre lamentar ou encontrar soluções”, afirma.

Com essa postura, o que poderia ser visto como maldição é encarado, em Israel, como uma oportunidade de crescer. “Pouca água gera inovação”, exemplifica o diretor do Moriah International Center. O país possui, como fontes de água potável, apenas o Mar da Galileia e dois aquíferos subterrâneos. A escassez levou ao desenvolvimento de soluções que dessalinizam 450 milhões de metros cúbicos de água do Mar Mediterrâneo por dia. O orvalho também é aproveitado como fonte de água para a agricultura e 80% da água é reciclada, um porcentual 8 vezes maior que o de qualquer outro país do mundo. “Atualmente, 60% da água usada em fazendas é gerada de fontes não potáveis ou reciclada”, comenta Horovitz.


Os 7 fatores de sucesso

Para Horovitz, nesse ambiente de escassez existem 7 fatores que tornam Israel um país inovador. São eles:

1. Uma cultura voltada à pesquisa e à inovação;

2. Exército obrigatório para homens e mulheres, que estimula o desenvolvimento da capacidade de improvisar e inovar para toda a vida;

3. Ousadia, pois em um país que luta para sobreviver não existe vergonha de questionar a maneira como as coisas são feitas;

4. Informalidade, já que em um ambiente que sofre ameaças constantes é preciso contar com estruturas flexíveis e hierarquias pouco verticalizadas;

5. Educação que estimula a pensar fora da caixa, sem a qual é impossível desenvolver uma mentalidade inovadora;

6. Multiculturalismo, que leva à diversidade de pontos de vista, visões de mundo e formas de resolver os problemas;

7. A necessidade decorrente de uma situação geopolítica desfavorável e de um território que não seria capaz de suprir seus habitantes.

Em uma atividade prática que demonstrou que a inovação não é algo tão difícil de desenvolver, os participantes do 2º DialogaRH realizaram um exercício bastante lúdico: criar 10 novas aplicações para um grampeador. Em apenas 15 minutos surgiram diversas ideias “fora da caixa”, tais como: martelo, arma, peso de papel, espelho, pinça, móbile, cortador de unhas e instrumento musical. “Quando precisamos exercer nossa criatividade e inovar, somos muito capazes. As empresas precisam desenvolver uma cultura que abra espaço para a inovação, porque quando fizerem, os colaboradores responderão”, diz.


Exemplos para o mercado corporativo

Um aspecto relevante da inovação praticada em Israel e que tem uma forte ligação com o cenário corporativo é a colaboração. Para Horovitz, o compartilhamento das informações é uma parte importante do que torna o país tão inovador. “Evidente que o compartilhamento de informação existe por razões econômicas, mas a cultura de desenvolvimento de ações colaborativas cria um ambiente de inovação permanente”, comenta. Um aprendizado que vale para países e para empresas.

Com base nos fatores de inovação de Israel, Horovitz propõe diversas metodologias e técnicas para gerar e estimular a inovação no mercado corporativo:

1. Desenvolva grupos de transformadores, multifuncionais, que coloquem em prática as ideias existentes. Esses grupos devem atuar com autonomia, a partir da solicitação das áreas de negócios. “É comum que existam ótimas ideias na empresa, que não são colocadas em prática por causa das questões do dia a dia. Ter uma equipe focada na mudança de processos é uma forma de fazer com que a inovação não seja travada pelos problemas cotidianos”, explica Horovitz;

2. Antes de começar, garanta o suporte da liderança. “Sem a liderança comprometida, nada acontece. Simples assim”, diz Horovitz;

3. A inovação não é à prova de falhas e, por isso, é preciso aceitar que erros irão acontecer. “O mais importante é não punir as falhas e, em vez disso, aprender com elas”, conta;

4. Busque novas referências, continuamente. “Eventos com pessoas diferentes, de diversas origens, são apenas uma das maneiras de trazer novas experiências para a empresa. Permita que os profissionais tenham oportunidade de sair da caixa”, explica o executivo;

5. Desenvolva um “programa sombra”, em que um profissional acompanha alguém que tem uma outra atividade e, assim, consegue entender melhor as necessidades e dificuldades do negócio. “Essa colaboração traz oxigenação e valoriza a diversidade na empresa”, afirma Horovitz. “Além disso, faz com que cada profissional tenha uma visão mais ampla sobre o negócio e possa propor soluções”, completa;

6. Estabeleça um programa de avaliação de desempenho, com metas e métricas. “A avaliação do desempenho é fundamental. É preciso medir sempre para garantir que a empresa esteja no rumo correto”, diz;

7. Conte com equipes multifuncionais. O também israelense Isaac Adizes desenvolveu o modelo PAEI, em que as equipes ideais devem ser formadas por Planejadores (que organizam as ações), Administradores (conhecem as regras de negócios), Empreendedores (expandem os limites e propõem novas ideias) e Integradores (com uma forte função social, permitem a interação das partes). “Essa é uma excelente forma de criar grupos eficientes, em que cada membro tem um papel definido”, analisa Horovitz.

“A necessidade gera a inovação e as limitações geram a busca pela inventividade. Ninguém quer passar por problemas, mas é das dificuldades que se criam as inovações”, teoriza Horovitz. Uma lição que ensina a encarar as crises como oportunidades de crescimento, e não como impedimentos para a conquista dos objetivos.
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