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3 de março, 2016
O maior desafio de uma instituição é evitar que a sua estrutura acabe trabalhando apenas para manter e ampliar a si mesma. Parece inevitável, seja numa empresa privada, seja no serviço público: ao invés de servir aos seus objetivos, as organizações, com o tempo, passam a servir apenas a si próprias.

E isso não acontece só na máquina administrativa de um governo, como a gente gosta de imaginar. Isso acontece também nos ambientes mais incensados da iniciativa privada. A tendência de quem ocupa cargos e funções é, antes que tudo, garantir a sobrevivência dos seus cargos e das suas funções. Seja em Brasília, seja na Avenida Paulista.

A estrutura existe para gerir a complexidade em uma empresa. É uma necessidade óbvia. Só que, ao lotear o poder entre as pessoas, a estrutura cria o status quo – que é basicamente um mapa que nos permite compreender rapidinho que macacos estão sentados em que galhos. E a partir daí, manter e ampliar o próprio status quo passa a ser o grande vetor das ações de todo mundo dentro da estrutura.

Daí se entende por que o principal compromisso dos executivos é sempre com a sua carreira. Só depois, bem depois, vêm os interesses da empresa. Funciona assim: em primeiro lugar, o meu futuro, os meus ganhos, as minhas vantagens. Só depois, vem o resto.

Está feito o paradoxo. Quem entre nós diminuiria o tamanho do próprio departamento – mesmo que isso fosse a coisa lógica a fazer, do ponto de vista da corporação? Quem de nós abriria mão da participação num projeto de grande visibilidade, ainda que ele tivesse mais chances de sucesso sendo desenvolvido por outro executivo?

Para esses executivos, que somos todos nós, gerar resultados só é bom se isso for bom para o seu encarreiramento – senão é desgaste à toa, é um investimento sem retorno, é trabalhar para os outros, é colocar a azeitona na empada alheia.

Com isso, a gente tira as atenções do mercado, e da concorrência lá fora, e se dedica a cuidar das disputas internas na corporação. O foco passa a ser cumprir bem as ordens – e não necessariamente fazer a coisa certa. E agradar o chefe sempre, e nunca questionar o paradigma vigente.

Será que dá para impedir que uma estrutura de se torne uma entidade autômata, com interesses próprios, que se move pautada pela autopreservação? Afinal, a gente precisa de máquinas administrativas. Não dá para gerir uma organização complexa sem elas.

Eu acho que é possível pensar diferente e tentar inverter essa lógica – que é, sobretudo, ineficiente. Mas para isso vamos precisar falar de estruturas não-hierárquicas, de liderança circular, de responsabilidades compartilhadas, de trabalho colaborativo, de ambientes criativos e descentralizados, gerando resultados em rede. Você está preparado? Então prepare-se. Porque esse é o futuro. E ele já chegou.



Adriano Silva é jornalista, publisher do Projeto Draft e autor dos livros O Executivo Sincero (que dá nome à sua coluna na rádio CBN) e Ansiedade Corporativa. Voltar






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