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8º DialogaRH - Cultura Organizacional e Crise de Identidade
03 de Abril, 2018

9º DIALOGARH
Tema: Liderança e Propósito
Coordenação e Palestrante: Rosa Bernhoeft – Diretora Alba Consultoria

O evento teve início com Rosa Bernhoerft, diretora da Alba Consultoria dando as boas-vindas aos participantes e valorizando o espaço que a consultoria tem dedicado para oferecer o desenvolvimento do diálogo e observando que hoje, verdadeiramente o diálogo está acontecendo de forma cada vez mais escassa e que, principalmente dentro das corporações a conversação vem se tornando cada vez mais difícil, entendendo-se que isso ocorra por dois motivos : primeiro porque corporativamente não criamos espaços para conversar, compartilhar e trocar e, em segundo, porque em uma conversa nem sempre a escuta gera a aceitação do diferente. Quando nos dialogamos, chegamos exatamente neste ponto, onde as controvérsias emergem e é neste ponto que é preciso debater, trocar e exercitar e aceitar o diferente. Este é o intuito deste grupo, e Rosa enfatiza também a questão da precisão: é preciso, debater, dialogar, pensar diferente, porque hoje tudo nos convida a um conformismo, a manipulação e a sermos levados pelos modismos e as fake news.

Este primeiro DIALOGARH de 2018 foi marcado por um tema bastante atual e que vem ganhando destaque no mundo corporativo: Liderança e Propósito. Segundo Rosa, nós discutimos muito alguns ferramentais, mas o tema propósito passa por uma questão que não é de uma habilitação conceitual, não é de papel, não é funcional, ele tem muita dependência da compreensão que você precisa para formular o seu propósito, e inclui a conexão de duas palavras: propósito e protagonismo.

O grupo trouxe algumas expectativas e dilemas que ajudaram a formatar a base para a palestra e para as discussões ao longo do evento:
• Propósito dentro do contexto de retenção de talentos
• Propósito no contexto profissional
• Propósito trabalhado nas práticas de Mentoria e Coach
• Como conectamos o propósito em um ambiente corporativo que está muito focado no resultado e para as metas. Como tangibilizar e como fazer isso acontecer na prática?
• Insight, ouvir coisa diferentes
• Buscar soluções, ferramentas para discussão do tema com as lideranças.
• Aprofundamento do tema
• Descoberta e o resgaste do poder do propósito no mundo corporativo
• Propósito aplicado em uma empresa
• Propósito individual e proposto corporativo

A introdução ao tema buscou num primeiro movimento levar ao entendimento sobre Propósito- “o que é? “- por meio de uma exposição rápida que serviu de base para um posterior debate em grupo para responder algumas questões e trazer as respostas para a troca. Foi solicitado, que todos se colocassem neste como alguém que está buscando o seu propósito.
Para iniciar esse entendimento foi importante alinhar que propósito serve de guia e que o resultado é a consequência isso porque muitas vezes estamos em busca do resultado e não do propósito.

A melhor base conceitual para se entender sistemicamente sobre propósito é a Pirâmide de Dilts porque, ao entender a pirâmide vamos identificar os sinais, as plataformas, degraus e as estruturas que sustentam uma lógica para o propósito. A pirâmide tem uma lógica, baseada em perguntas e ao longo do entendimento de todos os níveis os participantes foram convidados a fazer um exercício para encontrar seus propósitos. Voltando o momento de vida hoje foram convidados a se perguntarem: Onde estou neste momento? Onde e como eu estou? Em quantas dimensões eu posso me ver responder isso? Como estou na minha dimensão Biológica? Eu durmo bem? Como bem? Quanto tempo eu ainda vou viver? O propósito pode começar a se formar a partir dessa resposta, emerge uma resposta: “eu gostaria de...” Se eu for para o mundo corporativo e construir uma pirâmide idêntica, a pergunta seria: Onde e como a organização está? O que está acontecendo aqui e o que vocês gostariam que acontecesse? O propósito começa a se for formar a partir de uma reflexão que é muito pessoal. O RH pode por exemplo iniciar uma reunião puxando essa reflexão. Não é fácil ter esta resposta, mas é um momento de compartilhar e buscar apoio nas ferramentas que nos levam a responder onde estamos.

Liderança e Propósito

No primeiro nível da pirâmide a necessidade se encontra com oportunidade. Quantas oportunidades eu encontro hoje para suprir esta necessidade? Quantas oportunidades eu posso criar para suprir esta necessidade? No mundo real eu tenho quatro dimensões principais para cuidar: Biológica, intelectual e técnica, afetiva e social e capital.

A próxima pergunta é: como você vai fazer isto que você acabou de escolher? A realização será feita por meio de um plano, algumas programações para se ter uma visão do planejamento e como ele acontecerá em ciclos. Esta etapa é possível de ser feita no mundo corporativo por meio de um exercício com um grupo de executivos e depois fazer contrato com a elaboração de um plano. O que se quer alcançar depende do contrato que se faz com o plano, em não sabotar o que foi planejado. O que normalmente acontece é que sabotamos o plano, fazemos os contratos e ficamos neste looping
O próximo patamar da pirâmide responde às perguntas sobre os recursos que eu tenho para realizar o que foi planejado. Se não consigo realizar o planejado por alguma razão, posso retornar no patamar da necessidade e revê-la, mas se o ciclo se repete continuamente isto pode indicar que estou fazendo plano sem sentido e sem direção, desconectados. Este processo, dentro de uma organização acontece quando olho para a necessidade de realizar a estratégia e estabelecer os recursos necessários e quando não alcanço, posso retornar e rever a necessidade. É preciso encontrar e responder a pergunta: que significado tem isso? O que significa um programa de desenvolvimento que você propõe para a organização? Como isso se conecta com a necessidade existente? Muitas vezes ficamos na solução e não conectamos com a necessidade. Quais são os valores ou crenças bases para essa escolha a qual você não vai pode abrir mão? Me arrisco e defendo o que acredito e o que estou buscando. Hoje estamos evitando aprofundar no que vamos ter que defender...

Agora vem a pergunta: no que que você se transformou e me diga quem é você? O que se fala de você? É isto que você quer ouvir do mundo? Temos que ter essa consciência! Quando eu pago para uma agência fazer um branding é porque a marca da empresa se concentra em algumas crenças e que se expressam em muito planos e muitas táticas. E isso que acontece quando alguns fundos entram na empresa e destroem a empresa porque só buscam resultados e não chegam a buscar os significados e, a empresa deixa de ser o que era. Uma observação muito importante é que o Coach tangencia as questões de buscar significados, mas ele dá uma estrutura para atendimento a uma necessidade e não para o cume da pirâmide, não para a identidade.

Liderança e Propósito

Quando falamos de significados utilizamos substantivos e quando falamos em identidade usamos adjetivos. Para que? E para quem você faz? Você se organizou para fazer algo para transformar em você ou para transformar na sua empresa e agora responda: para que? Propósito é uma coisa extremamente concreta, não é subjetivo. É tão concreto que consigo expressá-lo em ação. Propósito está na intenção transformada em um resultado, é o impacto de toda a minha atuação a partir de um verbo que eu escolho para viver. A minha ação reflete na necessidade e faz esta conjunção e eu conjugo o verbo que escolhi em todos os momentos e, vou ter as consequências e o efeito que posso provocar com ele e criar evolução no ambiente a partir daquele verbo que eu defini. Para Rosa a definição de propósito é o verbo que você escolheu e o que você quer provocar com ele. Não é idealizado, é concreto porque se eu não conjugo eu não vou atuar. A construção de um propósito é a ação que eu escolho e que vai gerar uma consciência de impacto que você está causando. Eu encontro os verbos e seleciono os verbos que me pautaram até hoje, posso evoluir e analisar se preciso dispensar alguns verbos e escolher novos verbos. Na organização este é um exercício muito interessante: Qual verbo a organização escolhe? Quais verbos o time escolhe como seus verbos para torná-los a base para gerenciarem a empresa? Isso dá o atributo para os adjetivos que sustentam uma crença e que permite que se estabeleçam as habilidades e recursos que vão permitir a operacionalização dos planos para resolver e atender as necessidades. O que acontece nas organizações é que elas quebram os sistemas porque não dão as respostas para todos os níveis da pirâmide.

A partir desta explanação, o grupo trabalhou e refletiu sobre duas questões:
• Que sinais apontam a conexão do líder com o propósito da empresa?
• Como RH pode atuar para a facilitação dessa conexão: Propósito Indivíduo – Empresa

As reflexões do grupo trouxeram:

• A importância do líder ter um propósito para que assim ele possa conseguir fazer descer para as bases este propósito. Outra reflexão do grupo foi sobre a existência ou não de um propósito da organização e o questionamento sobre se o propósito muda quando muda o líder. E se existe a questão do mal e do bem...alguns propósitos são para o bem e outros para o mal e estes também percorrem todos os níveis da pirâmide. Comentamos o quanto a organização se preocupa com a conexão do propósito individual com o propósito da organização, isso porque muitas vezes o propósito da organização se perde com a contratação de um profissional e neste ponto está uma questão que o RH deve cuidar, para que os propósitos se casem.

• Dentro das empresas, dependendo do tipo de organização, entende-se que na estrutura familiar encontramos o propósito é mais facilmente alinhado.

• A liderança inspiradora, consegue trazer o propósito para a base...muito dificilmente conseguimos esta conexão. Hoje a área de RH está fazendo um turn around porque está se mobilizando para buscar instrumentos e técnicas mais e mais eficientes para escolher os profissionais a serem contratados. O RH pode facilitar a reflexão e o conhecimento e focar em fatores humanos, na liderança e nos grupos para facilitar o autoconhecimento e facilitar o diálogo nas equipes.

• Refletiu-se também sobre a alinhamento da liderança com que ele pensa, com aquilo que ele faz e como ele realmente age, porque ele representa este propósito. A atuação do RH é uma atuação corajosa e para criar o ambiente de diálogo e ritos que devem ser criados para reforçar a cultura e propósito. Ter muita clareza, foco e atuação com processo contínuo e principalmente muita coragem!

• Até onde o RH pode transitar pelo propósito te porque existem determinados valores que não são conferidos e a atuação passa a transitar por outros valores. A cultura da empresa pode estar corrompida e não corresponder a prática. E aqui se trás o conceito de dissonância cognitiva onde a pessoas convivem por muito tempo com práticas que elas dizem que não acreditam.

Finalizando, Rosa conclui que podemos traduzir o propósito em um conceito de causa, nos entusiasmamos muito com nossa causa e operamos coerentemente na busca de respostas. No ,entanto só que buscamos resposta da causa e não tomamos consciência das consequências da nossa causa, no impacto. A consciência do impacto cria a diferença e ela precisa ter espaço - a conscientização do impacto. Quando você toma consciência do impacto que você está causando você aprende a negociar e deixar algumas coisas. É preciso ter a noção do impacto que você provoca... o propósito tem uma força que te entusiasma, que te leva, mas é muito difícil mantê-lo.
No mundo do trabalho o que faz o líder para não deixar que o seu subordinado perca o sono com a preocupação de não o decepcioná-lo? O que ele te vende? A resposta do líder: o que ele vende é a fé no projeto dele, é o impacto que ele percebe que ele vai provocar, ele não vende a empresa, mas sim a fé que ele tem no projeto dele.
Cabe ao RH facilitar a reflexão sobre o impacto que ele quer provocar. Nos processos de seleção utilizamos o assessment, levantamento de potencial, então devemos colocar o “i” de impacto. Qual a variável de impacto que eu vou identificar? É possível ao RH criar algumas práticas onde possamos estabelecer alguns indicadores e propiciar o diálogo, sem que este dialogo seja feito sobre o negócio, mas sim “eles no negócio” e então trazer alguns facilitadores para que pensem sobre seus papéis e os impactos que eles trazem para o negócio. Posso estabelecer ritos de reconhecimentos que são mecanismos de significação.

Existe uma preocupação com os comportamentos permitidos no ambiente corporativo e eles trazem significados se eles nos levam a descrição de nossa identidade mas, é muito importante dizermos quais são os comportamentos não permitidos. As causas empresariais estão ligadas no discurso.... mas eu preciso identificar quais são os impactos. Tudo isso passa por um tema também complexo que é o Protagonismo, que poderá ser um tema para outro DialogaRH.

9º DialogaRH – Liderança e Propósito
Alba Consultoria
03.04.2018

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