News

8º DialogaRH - Cultura Organizacional e Crise de Identidade
11 de Setembro, 2018

10º DIALOGARH
Tema: High Tech vs. High Touch
Coordenação: Rosa Bernhoeft – Diretora Alba Consultoria
Palestrante: Paula Giannette

A abertura do encontro foi realizada por Rosa Bernhoeft, diretora da Alba Consultoria que fortaleceu o espaço e a dedicação da consultoria em oferecer o desenvolvimento do diálogo, sobre os temas que estão afetando as empresas e o país. Observou que esta é a nossa 10ª edição do DialogaRH, que teve início em setembro de 2015, fortalecendo a crença de que este encontro faz parte do nosso propósito porque acreditamos na conjugação do verbo “transformar”.

O tema deste DialogaRH, bastante atual e polêmico e que tem provocado bastante previsões sobre como as mudanças da era digital e da tecnologia irão impactar nossas vidas no futuro, foi desenvolvido por Paula Giannette, Diretora de RH do Grupo Confidence, professora no MBA de RH da FGV, Membro dos Conselhos Consultivos em Gestão de Pessoas e Sócia Fundadora da Patchwork Treinamento, além de muito estudiosa e como ela mesma se define, uma grande curiosa do ser humano e da tecnologia.

As expectativas do grupo orbitaram na busca sobre o entendimento e o aprofundamento sobre essa transformação, entender a relação entre o passado e as novas tecnologias e o que podemos encontrar de positivo em todo este movimento e nas suas aplicações. Como profissionais de Recursos Humanos, entender essa nova aprendizagem e o impacto nas pessoas e nas diferentes gerações, principalmente nas mudanças de comportamento que a era digital possa provocar.

Paula inicia sua palestra contando que o seu envolvimento e curiosidade pela tecnologia teve início há muito tempo e que sempre buscou entender e testar a tecnologia. Conhecer o que podemos ter de positivo, no que isso esconde as relações ou não e em como podemos tornar estes avanços tecnológicos em algo que nos ajude e que nos facilite. O objetivo deste encontro é compartilhar algumas aprendizagens alcançadas até agora sobre tecnologia e do humano com a tecnologia. Por que a tecnologia nos atrai tanto? Partimos do princípio que o ser humano gosta da novidade, tudo que é novo fascina e isto próprio da natureza humana. Ao mesmo tempo vem a pergunta: o que isso vai ser bom ou não para minha vida?

Tecnologia é um assunto muito polêmico e Hollywood nos ajuda a ter visões e geralmente ter a crença de que a tecnologia vai extinguir e substituir os humanos e vai fazer com que o mundo seja totalmente diferente. Hoje para discutir esse impacto é preciso responder: qual a imagem que eu tenho da tecnologia? Quais são os medos que eu tenho da tecnologia? Como eu percebo e qual o uso que eu faço da tecnologia? A neurociência nos ajuda a entender mais como funciona o pensamento humano e sabemos que o cognitivo, a inteligência humana é muito mais que a inteligência artificial. Nos levamos milhões de anos para desenvolver a parte cerebral do cognitivo, o neurocortex, a inteligência artificial está fazendo o processo contrário, está iniciando pela parte racional e lógica e ainda vai precisar de muito tempo para desenvolver a parte analítica e emocional. Em determinado momento na história da humanidade, a função lógica foi extremamente valorizada, tanto que até hoje, nos processos de captação de pessoas, nos utilizamos esta função para admitir ou não um profissional na nossa empresa, pela capacidade de tomar decisão. A grande mudança deste momento é que essa parte que foi supervalorizada, passa a ser feita de uma forma melhor pela a tecnologia e cabe ao ser humano fazer o tem de melhor e que deveríamos ter desenvolvido e valorizado mais: o nosso potencial criativo. Este potencial que é e foi muito tolhido ao longo do nosso desenvolvimento; estimulamos a matemática, mas não a capacidade criativa e inovadora. Segundo a Neurociência, quando automatizamos uma resposta nos tornamos mais eficientes. Nós utilizamos 25% da nossa energia para manter as funções neurológicas funcionando e 35% para manter as funções envolvidas em um exercício matemático e lógico, ou seja, nos estressamos o nosso cérebro o tempo todo, porque foi desse jeito que nos foi exigido e que nos tornamos mais produtivos. Mas não é da natureza humana ficar fazendo esforço com este tipo de atividade, mas sim de fazer coisas que se automatizem para deixar tempo livre, para ser mais criativo e fazer coisas diferentes e prazerosas.

Paula trouxe uma visão das macrotendências que estão transformando o mundo, porque elas nos ajudam a entender um pouco mais sobre a tecnologia:



1) Nós nascemos em um mundo, geopolítico, completamente artificial, com fronteiras determinadas, uma construção geográfica do Homem; evoluímos para o mundo sustentável, já bem diferente, onde o ambiente impacta as relações das pessoas em qualquer lugar e, o último mapa, nos mostra o mundo atual, um mundo conectado, falando e trocando informação e energia o tempo todo, sem fronteiras. Isso muda tudo, muda como percebemos o tempo! Essas mudanças geram nas pessoas a vontade de buscar a automatização, para sobrar mais tempo para fazer coisas legais, só que esse tempo, na verdade não está sobrando. Estamos sofrendo um fenômeno chamado FOMO- Fear Off Missing Out, isto é, "medo de estar perdendo algo" e queremos estar ao mesmo tempo em todos os lugares, ficamos ligados na rede o tempo todo, mas ao mesmo tempo, não é possível ser onipresente e não consigo ter foco. Nós não somos multitarefa, conseguimos nos conectar e colocar foco somente em uma coisa de cada vez.

2) Essas mudanças mudam muito a relação das pessoas, existe uma tendência de afastamento para uma atuação individual e de não aprofundamento das relações. Na velocidade em que as coisas acontecem, as mudanças das empresas, as mudanças dos processos, geram o mundo VULCA (Volátil -Incerto-Complexo e Ambíguo). Lindamos com o desconhecido, com o complexo o tempo todo e o que era linear e programado não acontece mais e isso nos tira da zona de conforto. Mas este é desafio, aproveitar a oportunidade para mudar e temos que enfrentar este desafio e nos apropriarmos destes fenômenos e não simplesmente nos deixarmos levar. Vamos ter que encontrar uma forma de trabalhar e tirar proveito de tudo isso.



3) Essa pesquisa da PWC realizada em 2014, mostra as quatro dimensões que mais nos impactam num futuro bem próximo: a) tecnologias disruptivas - por um lado está trazendo a questão da automatização e da facilidade de ter alguém ou algo fazendo de uma forma mais fácil do que é feito b) Escassez de recursos- temos 7 bilhões de pessoas no mundo e temos que pensar como vamos sobreviver c) Economia global – como nos transformarmos em uma economia global d) Demografia- estamos vivendo mais e temos que refletir como isto vai impactar no processo de troca de aprendizagem. Diferentemente da tecnologia que é de fácil aprendizagem para os jovens, as competências que são vitais e que serão mais valorizadas no futuro: a empatia, os relacionamentos humanos e a criatividade, levam mais tempo para serem desenvolvidas. Quanto mais velho e mais experiente, mais oportunidade temos de sermos melhores naquilo que fazemos, porque tivemos a oportunidade de exercitarmos mais este tipo de comportamento do que a geração que está chegando.

Como as tecnologias disruptivas irão impactar nas organizações? 47% dos cargos atuais serão extintos, mas muitos outros cargos estão surgindo, como por exemplo consultor de genoma. As novas tecnologias permitem que os empregados trabalhem em qualquer lugar a qualquer hora com conectividade e a acessibilidade 24X7. O grupo refletiu e debateu bastante sobre o quanto de mindset temos que mudar, o quanto de desapego temos que ter para viver este novo mundo. As pessoas querem ter tempo para que? Estamos entrando em um mundo onde as pessoas, principalmente os jovens, estão se desconectando dos relacionamentos e quando se tem tempo e não tem o que fazer, e isso tem contribuído para um estado de depressão e o aumento dos casos de suicídios, até mesmo em crianças. Estamos criando uma sociedade doente e o nosso maior desafio é criar situações onde as pessoas se conectem entre si.

Falando mais propriamente dos impactos para Recursos Humanos, entendemos que o grande ponto é que sempre existiram substituições de cargos e funções ou da forma de fazer e de processar as coisas, os cargos mudaram, muitos deixaram de existir e muitos processos foram automatizados. Os novos profissionais precisam se preparar para: • empregos que ainda não existem • usar tecnologias que ainda não foram inventadas • resolver problemas que ainda não sabemos que serão problemas • A principal competência para o futuro é aprender a desaprender e reaprender. Vamos ter que desaprender, rever o que eu sei e saber como eu posso utilizar e readaptar. Paula cita uma frase bastante significativa para esta reflexão: “Invenção é usar os recursos que você tem em ordens diferentes e com propósitos diferentes.” O desaprender também abrir oportunidade para o que eu já tenho e é isso que temos que começar a aprender e também desenvolver as pessoas para fazerem isso.

Nesta questão “aprender e reaprender” e, olhando para o Brasil, que com o surgimento da legislação trabalhista, aprendeu a cumprir um processo e a seguir um método, vem a pergunta: Como podemos trazer o desaprender destes processos e métodos para atender as mudanças, os novos propósitos e trazer inovações? Trazendo o exemplo do livro Sapiens, vemos que na história da evolução do homem, a última coisa a mudar é a legislação e o que faz a transformação é a tecnologia. A pessoa faz a mudança quando essa mudança vai facilitar a vida dela, no nível mais individual possível. Aquilo que vem para evitar uma coisa que eu não gosto ou que vai me trazer algum benefício, é o principal motivador para a mudança. Estamos num descompasso, porque as mudanças estão ocorrendo em uma velocidade tão grande que não existe um equilíbrio na atualização das legislações. E hoje, já temos uma outra questão: já existe algum número de processo trabalhista nas startups?

No futuro, as oportunidades de trabalho estarão concentradas em funções onde se exija empatia, criatividade, improviso, imaginação, afeto e bom humor. As pessoas serão mais felizes, porque estas competências exigem menor esforço quando comparadas as funções processuais e que nos levam a um nível de stress. O que for depender do relacionamento será mais valorizado no futuro.

Outra macrotendência que nos impacta está relacionada com a preocupação em como manter este mundo viável no futuro e em encontrar formas diferente de utilizar nossos recursos, fazendo uso diferente e eficiente como: desenvolver a reciclagem, tornar a sustentabilidade um valor para todos os indivíduos e transformar os produtos e serviços sustentáveis.

Os impactos nas organizações refletirão nas gerações: os Millennials e Geração Z com uma força de trabalho multigenerational. ▪ no gênero, com aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho. ▪ na migração internacional que continuará a crescer na América do Norte e Europa aumentando a mobilidade das pessoas no mundo. Temos um mundo mais populoso e com uma expectativa de vida muito maior e com menos gente nascendo, então precisamos ter um novo olhar para a forma como nós concebemos tudo na nossa sociedade, para os produtos que vendo, para a urbanização, locomoção a exemplo da Google, que tem investido em empresas ligadas a mudança geracional do futuro como de locomoção e de criogenia.

A nova economia está influenciando novos padrões de comércio, de consumo e de investimentos. O Sharing economy cria novos modelos de negócio e o aumento da criação de startups como podemos citar o Facebook maior empresa de mídia do mundo e que não produz nenhum conteúdo; ALIBABA a maior varejista não virtual não possui nenhum estoque, UBER, maior empresa de taxi e não possui nenhum veículo em sua frota, AIR BNB, maior empresa de hospedagem não possui nenhum imóvel e outros projetos colaborativos que estão revolucionando o mundo que conhecemos hoje.

O jovem de hoje se vincula pela experiencia e não aos produtos: eu não quero comprar o carro X, mas eu que quero circular com o carro X, você aluga? A questão é: qual experiência o meu produto está oferecendo? Temos quatro empresas no mundo que estão gerando um fenômeno chamado GAFA- Google, Apple, Facebook e Amazon, oferecem mediação e viabilização, descobrindo o que você quer e viabilizando o consumo de forma democrática. Todas essas questões mudam o contexto, mudam as exigências, mudam o conhecimento, mudam o que eu ofereço como negócio e mudam o que eu passo a exigir como competências e o que as empresas e as consultorias passam a exigir para trabalhar com gente.

Falando mais especificamente sobre os sistemas de Recursos Humanos, o Recrutamento e Seleção já há muito tempo utiliza da tecnologia para achar o que as pessoas querem fazer, como no aplicativo de Geolocalização e aí que começa um processo de viabilização. Hoje não existe mais o Job Description, a limitação da função com começo meio e fim. Este é um grande desafio para RH, influenciar essa mudança de visão junto a liderança das empresas. A Educação e o Desenvolvimento, estão trazendo muitas novidades com oportunidades para utilização da simulação para as situações mais complexas de aprendizagem. Já o mais complexo e com maior dificuldade de mudança estão os processos de Remuneração e Benefícios, porque mantém muito o modelo atual e aqui estão as maiores oportunidades para o RH: criar e entender o que as pessoas consideram ser justo e compatível com o trabalho que executam.

No HR Tech Market Map, podemos mapear as startups de HR que existem no mundo com alternativas diferentes e sempre na linha da viabilização. Hoje já encontramos algumas empresas que já mudaram o nome da área de Recursos Humanos para Robôs & Humanos, o que mostra que nós não vamos encontrar as soluções pensando do mesmo jeito que pensávamos antes, temos que pensar diferente viabilizar e oferecer experiencias.

Finalizando o encontro com a proposta de reflexão sobre duas questões: 1) Pensando na realidade das empresas brasileiras, como você avalia os investimentos e priorização do uso de novas tecnologias em seus processos de negócio e em Recursos Humanos? 2) Quais as principais barreiras que os profissionais de RH têm encontrado para implementar uma Cultura Digital e o que estão fazendo para superá-las? A discussão destas questões produziu as seguintes reflexões:
• Não adianta o RH levar isoladamente uma proposta digital, dependerá muito do investimento da organização se dispõe a fazer e da cultura digital que ela desenvolveu, para que ela possa implementar e absorver.
• Existe também uma ponderação a se fazer: será que todas as empresas precisam necessariamente evoluir para uma cultura digital? Essa é uma preocupação, vamos tornar mais tecnológico, mas temos que diferenciar do que é modismo. Por outro lado, existe a busca das empresas para a produtividade e, a tecnologia entra neste momento, por exemplo: eram necessárias muitas pessoas que entravam nas ferramentas do sistema para gerar as informações para serem analisadas e hoje, elas não são mais necessárias porque o sistema já gera essas informações. Teoricamente essas pessoas deveriam ser desenvolvidas para fazerem as análises. Mas hoje, consideramos que é mais rápido implantar a tecnologia do que desenvolver as pessoas e está aí um outro grande desafio para RH: ver o sistema como um todo, olhar a tecnologia e dar condições para as pessoas atuarem.
• As empresas precisam equilibrar a tecnologia (comunicação, sistema, controles) que é oferecida para os empregados com a tecnologia que ele já tem em casa, por exemplo internet na mesma velocidade. E ao mesmo tempo entender o mindset dos jovens somado as questões legais, é necessário entender o contexto todo, porque a questão não é só tecnológica, mas também cultural.

Concluindo, Paula reforça que é de fundamental importância o desenvolvimento das competências socioemocionais, não podemos desenvolver somente as competências técnicas. Temos que ter o senso crítico para perceber o que de fato faz sentido. A valorização do repertório, o que cada um construiu em si a possibilidade para tomar decisões e de escolhas é o que faz sentido, cabe a nós ajudar a nova geração nesse novo contexto.

Rosa encerrou o encontro colocando a questão do accountability porque hoje temos uma consciência muito grande do impacto que qualquer ação que fazemos hoje provoca no futuro e por isso, devemos nos preocupar com o legado. Temos que entender o contexto e dar simplicidade na implantação e dar condições e infraestrutura para que as coisas aconteçam.

Dicas para refletir sobre o tema:
Assustadora entrevista com o robô Sofhia - Youtube

Gap minder

Livro: Sapiens – Uma breve história da humanidade - Harari,Yuval Noah

10º DialogaRH – High Tech vs. High Touch
Alba Consultoria
11.09.2018

Voltar







Siga-nos





Contato

Rua Alexandre Dumas, 1562 - 3º andar, sala 34
São Paulo - SP
PABX: 11 5181-4846
Fax: 11 5181-8376
envie seu email para:
alba@albaconsultoria.com.br